domingo, 31 de julho de 2016

Philippeion - O templo  dedicado aos humanos

O Santuário de Olímpia, na Grécia,  existia há pelo menos dois mil anos antes de Cristo. Aqui era um centro religioso, político e  esportivo. Localizado na Península  do Peloponeso, no bosque Altis e diante do monte Cronos, era um lugar sagrado. Conta a mitologia, que aqui Zeus derrotou seu pai Cronos, daí o nome do monte. Havia um culto a Zeus e, eventualmente, um culto a Gaea (terra). Os primeiros jogos olímpicos datam de 776 a.C e eram realizados a cada quatro anos e com competição que durava cinco dias. Era disputada apenas entre as cidades gregas. Esse mês era de paz entre as cidades, principalmente Esparta e Elis. 
Segundo estudos, através das moedas encontradas, foi erguido aqui o templo em homenagem a Zeus. Foi construído em 470 a.C pelo arquiteto Lisbon de Elis. Em estilo Jônico, possuia seis colunas frontais e outras treze de cada lado. O santuário possuia uma estátua de Zeus, com 13,5 feita em ouro e marfim, sendo considerada uma das sete maravilhas do  mundo antigo. Aulas de filosofia  eram realizadas nesse espaço.




O templo de Hera, mulher de Zeus, criado mil anos a.C, é um dos locais mais fotografados aqui. Nesse local foi acesa a tocha olímpica e esse ritual se perpetua até os dias atuais. Restam as colunas do templo.





Participavam das provas cidadãos gregos, menos escravos e mulheres e apenas homens assistiam às provas no Estádio Olímpico, até o dia em que uma mulher vestiu-se de homem para assistir seu filho competir. Foi descoberta e, desde então, o acesso era permitido desde que todos estivessem nús. Isso mesmo.
Figuras importantes assistiam aos jogos entre eles, Platão e Aristóteles e, entre os competidores, estavam Alexandre, o grande e Nero. Em uma competição de cavalos, Nero caiu do cavalo, mas se declarou vencedor e levou as estatuetas correspondentes. Aos vencedores cabia uma coroa de oliveiras de Zeus, uma estátua com seu nome e a prova em que disputou, além de muito prestígio em sua cidade.
O Estádio Olímpico possuía 192 metros de extensão, com capacidade para quarenta mil pessoas. Os atletas da maratona percorriam esse trajeto até atingirem 42 km. A maratona era uma homenagem ao grego Filipes, que percorreu 42 km que separavam a cidade de Atenas e Maratona, para noticiar a vitória dos dez mil soldados atenienses sobre os cem mil soldados persas. De tão exausto, apenas falou a palavra "vencemos" e, em seguida, caiu morto. Feito de grande importância histórica.

Estadio Olimpico

Com a invasão dos Romanos no século IV, o Imperador cristão Theodosius determinou o fim dos jogos olímpicos e fechamento do santuário. Considerava um ambiente pagão e que, competidores seminus, era uma imoralidade. Muitas peças de valor histórico foram saqueadas. Terremotos e inundações acabaram por destruir o berço das Olimpíadas.




O Santuário foi descoberto em 1776, coberto por vegetação e lama. As escavações arqueológicas começaram nessa época. Os primeiros jogos Olímpicos da era moderna (final do século XIX), foram idealizados pelo Barão de Coubertin (frânces). Atenas, por motivos óbvios, foi escolhida para sediar os jogos. Participaram 14 países, 88 atletas estrangeiros e 123 gregos. Hoje os jogos são disputados por vários países, mas a tocha olímpica é acesa neste local sagrado.




Em 1920 o Barão de Coubertin recebe o prêmio Nobel da Paz por seu espírito olímpico. Após o falecimento do Barão, seu coração repousa no Museu da cidade de Olímpia. Sua frase célebre vigora até a atualidade:" O importante não é ganhar, mas competir e com dignidade".
O Santuário de Olímpia é patrimônio cultural, pela UNESCO.


COMO CHEGAR

Estando em Atenas, existem cinco trens diários para Pyrgos, saindo da estação Larissi. A viagem é  de aproximadamente quatro horas e custa seis euros. Faz baldeação em Pyrgus, para chegar em Olímpia. Desta forma, teremos aí mais trinta minutos.
Estávamos em uma excursão com o Navio MSC pela Grécia e tivemos Olímpia como opcional. Realizamos o trajeto em micro-ônibus. Fica a cerca de uma hora do porto de Patra e, igualmente, do aeroporto de Kalamata.

MELHOR ÉPOCA

De julho a setembro - Verão. Site - www.olympia-greece.org


Sem dúvida é um passeio bem interessante e, tendo oportunidade, aconselho.

quinta-feira, 28 de julho de 2016


A Cidadela de Kalemegdan é a principal atração de Belgrado, na Sérvia. Logo na entrada, fomos atraídos para visitar um curioso museu, que encontra-se dentro das muralhas da cidadela, o Museu da Tortura. Foi a primeira vez que conheci um museu com essas característica e posso dizer que é quase impossível não revelar algum segredo bem guardado...

         

Logo na entrada, um exemplar dos antigos cintos de castidade, usado pelas mulheres dos guerreiros,  
uma vez que seus  parceiros viajavam muito.



As amputações mamárias eram freqüentes para tratamento de doenças das mamas.


O machado é auto-explicativo e dispensa quaisquer comentários.


A mesa de perfurações, certamente, não servia para fazer cócegas.


Muito usado pelos príncipes locais e, aperfeiçoado por outros (Conde Drácula que o diga), a tortura pelo empalamento causava dor e sofrimento, pois a vítima não morria instantaneamente, mas sangrava de forma lenta e contínua.



Essa sala era uma das últimas a serem visitadas. Eis aqui a cadeira da tortura! São lanças de aço, pontiagudas e afiadas. Sentar aqui seria morte certa. Interrogatório curto.


A armadura de pregos.


Se, apesar de tudo, o resultado não fosse obtido,a degola sumária seria o último recurso.


É uma visita curiosa e que, estando na cidadela, vale a pena conhecer. Ingresso ao custo de 250 DIN.

Uma das grandes atrações em Belgrado, na Sérvia, é o Museu de Tito. Construído em 1975, pelo arquiteto Stepan Kralj, em uma região de muito verde, bastante agradável  e afastada do centro da cidade. Aqui encontra-se o Museu da História da Iugoslávia e a Casa das Flores, onde encontra-se o Mausoléu.



QUEM FOI O MARECHAL JOSIP BROZ TITO


Nascido na Croácia, filho de pai croata e mãe eslovena, Josip era um militar comunista, revolucionário, líder do partido Partisans e líder da resistência as forças do Eixo e do nazi-facismo croata e sérvio, durante a Segunda Guerra Mundial. Contestado na Guerra Fria, pois transitava com muita facilidade entre americanos e soviéticos. Sua posição de neutralidade foi elogiada e foi condecorado várias vezes por conta de seu posicionamento. Em 1943, assumiu a patente de Marechal, tornando-se comandante supremo do exército Iugoslavo. Foi eleito Presidente da República Socialista da Iugoslávia entre 1953 e 1980. O pais viveu um grande crescimento econômico entre 1960 e 1970. Tido como ditador , conseguiu   sufocar as  lutas separatistas( (efetivadas depois de sua morte) existentes na região dos balcãs e manter a paz entre as seis unidades da República ( Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Macedônia). Os conflitos duram até os dias atuais.
Muito querido pelo seu povo, seu sepultamento foi um dos mais concorridos da história no mundo até hoje. Praticamente todos os chefes de estado compareceram. (Wikipédia)


O MUSEU E A CASA DAS FLORES

Fui em um meio de semana e o movimento estava bem tranqüilo. O ingresso (200 DIN) contemplava o museu e a casa das flores, que está localizada no espaço atrás do museu e onde fica o mausoléu. No espaço inferior do museu, existe uma pequena sala onde é passado um filme sobre a vida de Tito. São mostrados as realizações do Marechal, detalhes da sua convivência com chefes de estado, suas viagens e sua obra. Aconselho assistir.
No andar superior, um espaço imenso, onde são espostos movimentos de arte e cultura da Iugoslávia.


A casa das flores é o espaço que abriga o mausoléu, mas não apenas isso. Possui uma imensa área de jardins bem cuidados, com muitas estátuas, presentes recebidos pelo Marechal.





O prédio do Mausoléu é grande, com iluminação natural em seu centro e com muita área verde. Ao centro, o local onde foi sepultado o Marechal Tito. Os presentes, condecorações, cartas, uniformes e até o escritório, são expostos nesse espaço.







Na saída da Casa das Flores, existe uma pequena sala com lembrancinhas. vale a pena visitar e comprar.

COMO CHEGAR

De taxi, a partir do centro, custa em torno de 500 DIN  e, de ônibus, pegue o de número 40 ou 41, em frente ao Parlamento.
Funciona de terça a domingo, das 10 às 16 horas.

A história da antiga Iugoslávia esta intimamente ligada a do Marechal Tito. Vale conhecer!

quarta-feira, 27 de julho de 2016


Em nosso roteiro de carro pela Romênia, programamos para conhecer a região da Transilvânia, mas não contávamos,ou não colocávamos muita fé, na cidade de Sinaia.  Ledo engano. Localizada a 140 km da capital e a 50 km de Brasov, passaríamos um bom tempo ali. A cidade é um encanto, com suas casinhas coloridas de madeira e os lindos penhascos dos montes Bucegi ao fundo, que funciona como estação de esqui no inverno. Nesta região está localizado um dos castelos mais belos da Europa, o Castelo de Peles. 

Caminho de Bucareste a Bran, passando por Sinaia.(Google)

Depois de uma longa subida,  chegamos a área do castelo ( 15 min do centro). Na subida ou na descida, não deixe de visitar o lindo Mosteiro Sinaia.  Deixamos o carro no estacionamento próprio ( 10 lei) e seguimos pela pequena vila até o Castelo. O local é muito bonito e possui um estilo que lembra a Baviera  ( rei Carol I era alemão), com suas casas em madeira adornadas em suas portas e paredes e que conta com uma estrutura mínima ( um restaurante com vista), para quem deseja apenas contemplar a paisagem .

Castelo de Peles visto da Vila.
O Castelo de Peles começou a ser construído em 1875 e foi concluído em 1914, poucos meses antes da morte do rei Carol I, monarca que governou a Romênia por mais tempo. Possui estilo neorenascentista e ocupa uma área de  3500 metros quadrados. Foi construído para ser residência de verão.

Vista frontal do Castelo de Peles.

O lado externo do Castelo é fantástico. São varias estátuas em mármore, fontes, jardins e uma área interna belíssima com pintura nas paredes, detalhes em madeira minunciosamente trabalhados e que não precisa  pagar ingresso para ser visitada. Mas, sem dúvida, a visita guiada por seu interior é ainda mais bonita.

Pátio interno do Castelo - aberto ao público.




A visita é guiada e exige hora marcada. O tour básico ( primeiro piso) custa 20 lei e o completo (dois pisos) custa 50 lei. Para quem deseja tirar fotos, o custo é de 32 lei ( muito caro), todavia, vale o investimento. Coloquei o protetor de sapato, adesivo das fotos e estava pronto para começar a visita (em inglês). A primeira sala é das armas. São armaduras, espadas, revólver, tudo muito conservado e arrumado.


Iniciando o tour, logo nossa atenção é desviada para os lindos tapetes, escadas, vasos, estátuas em mármore, vitrais e, como em todo castelo, madeira ricamente trabalhada.








Difícil acompanhar o grupo e o guia. São tantos detalhes e objetos a serem vistos, que fiquei para trás em várias situações. A outra sala, ainda maior, de armaduras e armas é fantástica, realmente! O cavaleiro e sua armadura são perfeitos. Os detalhes em ouro das armas são de impressionar.






O escritório é outra ala que chama atenção. São telas famosas, livros, vasos caríssimos, mobília com riqueza de detalhes, tudo muito bonito e de valor incalculável. Até passagem secreta existe aqui. As pinturas no teto são obras de Gustav Klimt (pintor simbolista austríaco).

 






Salões imensos e grandiosos, lustres belíssimos. Em quase todos os aposentos, há objetos de guerra.


 

Sem dúvida, a beleza do castelo o coloca entre os mais belos da Europa. É uma visita imperdível, não deixe de colocar em seu roteiro na Romênia. Para quem faz o roteiro de carro, sugiro conhecer o Castelo de Peles antes e depois seguir para o Castelo de Bran.